AG Weekly #002 | O mês das decisões: Simples Nacional, juros, IA e os sinais que o empresário não pode ignorar

De 8 a 12 de setembro, mudanças tributárias, novos indicadores econômicos e avanços da inteligência artificial reforçaram uma mesma mensagem: 2027 começa a ser decidido agora.

Setembro deixou de ser apenas mais um mês no calendário empresarial de 2026.

Para milhares de empresas brasileiras, algumas das decisões tomadas nas próximas semanas terão consequências que atravessarão 2027.

A Reforma Tributária abriu uma janela importante de decisão para empresas do Simples Nacional. Ao mesmo tempo, o mercado continua operando sob juros elevados, a indústria mostra sinais de pressão, o setor de serviços perde velocidade e a inteligência artificial avança rapidamente para dentro das operações.

À primeira vista, são acontecimentos diferentes.

Na prática, todos apontam para uma mesma realidade:

as empresas precisarão tomar decisões melhores em ambientes cada vez mais complexos.

E complexidade não se resolve com improviso.

Resolve-se com informação, planejamento, números e gestão.

Este é o AG Weekly desta semana.


1. Simples Nacional: setembro virou mês de decisão tributária

Talvez este seja o movimento mais importante da semana para pequenas e médias empresas.

Até 30 de setembro, empresas têm uma janela relacionada à forma como IBS e CBS serão recolhidos em 2027.

Empresas já optantes pelo Simples podem escolher recolher IBS e CBS pelo regime regular — estrutura que vem sendo chamada informalmente de “Simples híbrido”. Para quem pretende utilizar essa sistemática no primeiro semestre de 2027, a decisão acontece agora.

E existe um erro que precisa ser evitado:

olhar essa escolha apenas pela alíquota.

A pergunta deixou de ser simplesmente:

“Em qual opção eu pago menos imposto?”

A análise precisa considerar também:

créditos tributários, perfil dos clientes, fornecedores, formação de preço, margem, capital de giro e fluxo de caixa.

Uma empresa predominantemente B2B pode enfrentar uma realidade diferente daquela que vende majoritariamente para o consumidor final.

Da mesma forma, duas empresas com faturamento semelhante podem chegar a conclusões completamente diferentes dependendo de suas cadeias de compra e venda.

A Reforma Tributária começa a transformar planejamento tributário em decisão estratégica.

E setembro é um mês para fazer contas antes de fazer escolhas.


2. Inflação melhora. Mas o dinheiro continua caro.

O Boletim Focus divulgado nesta semana reduziu a projeção de inflação para 2026 de 5,01% para 5%.

A expectativa para o crescimento do PIB passou de 1,92% para 1,93%, enquanto a projeção da Selic no encerramento do ano permanece em 13,75%.

É uma combinação que merece atenção.

A inflação apresenta algum alívio, mas o custo do dinheiro continua elevado.

Para as empresas, isso significa que decisões envolvendo financiamento, expansão, antecipação de recebíveis, estoque e capital de giro continuam exigindo cuidado.

Quando o crédito fica caro, erros financeiros também ficam.

Uma operação que cresce sem planejamento pode aumentar faturamento enquanto destrói caixa.

Um investimento realizado no momento errado pode consumir uma margem que levou meses para ser construída.

E uma empresa que desconhece seu ciclo financeiro pode descobrir tarde demais que vender mais não significa necessariamente ter mais dinheiro disponível.

A leitura da AG

Juros altos não impedem crescimento. Impedem crescimento sem planejamento.

É justamente nesses períodos que orçamento, projeção de caixa, indicadores e análise de investimento deixam de ser controles administrativos e passam a funcionar como instrumentos de decisão.


3. A indústria sentiu o custo da desaceleração

Dados divulgados pela CNI nesta semana mostram uma queda de 2% no faturamento da indústria de transformação em julho na comparação com junho.

No acumulado de janeiro a julho, o faturamento apresenta retração de 0,5% em relação ao mesmo período de 2025.

O número ajuda a mostrar outro lado do cenário econômico.

Em momentos de expansão acelerada, algumas ineficiências ficam escondidas pelo próprio crescimento.

Quando a economia desacelera, elas aparecem.

Custos excessivos.

Processos lentos.

Baixa produtividade.

Margens mal calculadas.

Estoques desequilibrados.

Estruturas que cresceram mais rápido do que a receita.

Por isso, quando o mercado desacelera, faturamento sozinho deixa de ser uma boa bússola.

A gestão precisa olhar para margem, produtividade, custo, caixa e eficiência operacional.

O objetivo deixa de ser simplesmente crescer.

Passa a ser:

crescer com qualidade.


4. Serviços crescem. Mas crescer junto com o mercado não é automático.

O setor de serviços ficou estável em julho e acumula 1,9% de crescimento em 2026 e 2,4% nos últimos 12 meses.

Apesar do resultado positivo acumulado, o ritmo de crescimento em 12 meses perdeu velocidade em relação ao período anterior.

E existe uma distinção importante aqui:

mercado crescendo não significa que todas as empresas estão crescendo.

Uma empresa pode atuar dentro de um setor em expansão e, ainda assim:

perder margem, perder clientes, perder produtividade ou perder participação de mercado.

Da mesma forma, empresas bem geridas podem encontrar crescimento mesmo dentro de setores que atravessam períodos mais difíceis.

Indicadores macroeconômicos ajudam a compreender o ambiente.

Mas eles não substituem os indicadores da própria empresa.

O mercado explica o cenário. A gestão explica o seu resultado dentro dele.


5. Metade das empresas já usa IA. Agora começa a diferença entre usar e transformar.

A inteligência artificial deixou de ser uma discussão sobre futuro.

Pesquisa citada no levantamento desta semana aponta que 50% das empresas brasileiras, aproximadamente 12 milhões de negócios, já utilizam inteligência artificial.

Mas existe uma diferença importante dentro desse número.

Entre as empresas que adotaram IA, 58% ainda permanecem em níveis básicos de utilização, enquanto apenas 15% chegaram a estágios avançados capazes de transformar produtos ou modelos de negócio.

Essa diferença provavelmente será cada vez mais relevante.

Porque abrir uma ferramenta de IA e produzir um texto não significa ter uma empresa orientada por inteligência artificial.

Ter ChatGPT não significa ter uma estratégia de IA.

A transformação acontece quando a tecnologia entra em:

processos, atendimento, análise de dados, produtividade, financeiro, comercial, RH, indicadores e tomada de decisão.

Outro dado chama atenção: no RH, o uso de IA já estaria economizando em média 5,4 horas semanais, embora decisões sensíveis ainda dependam do julgamento humano.

E talvez esse seja exatamente o ponto.

A discussão não deveria ser humano versus inteligência artificial.

Deveria ser:

onde a tecnologia aumenta a capacidade humana de decidir e executar melhor?

O próximo diferencial competitivo não será simplesmente utilizar IA.

Será saber onde utilizá-la.


6. Setembro Amarelo e NR-1: saúde mental também é gestão

Setembro tradicionalmente amplia a conversa sobre saúde mental.

Em 2026, essa discussão ganhou uma dimensão ainda mais relevante para as empresas.

A atualização da NR-1 passou a incorporar expressamente fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, com a nova redação em vigor desde 26 de maio de 2026.

Isso aproxima dois assuntos que durante muito tempo foram tratados separadamente:

saúde mental e gestão.

Porque riscos psicossociais também podem nascer da forma como uma organização funciona.

Metas impossíveis.

Excesso de jornada.

Falta de autonomia.

Assédio.

Conflitos de função.

Lideranças despreparadas.

Ambientes permanentemente pressionados.

Processos desorganizados.

Por isso:

Setembro Amarelo não deveria terminar no post.

Saúde mental também é desenho de gestão.

E empresas que realmente defendem uma gestão humanizada precisam transformar esse princípio em processos, liderança, escuta e cultura — não apenas em comunicação.


7. Pequenos empresários estão pedindo algo básico — e extremamente estratégico: gestão.

Uma pesquisa do Conselho Federal de Administração em parceria com o Ministério do Empreendedorismo apontou acesso a crédito, gestão financeira e capacitação prática entre as prioridades dos pequenos negócios.

O dado é especialmente interessante porque revela uma mudança de maturidade.

Empreender exige coragem.

Mas coragem não substitui gestão.

Uma empresa pode ter um excelente produto e enfrentar dificuldades por não conhecer sua margem.

Pode vender muito e sofrer com fluxo de caixa.

Pode contratar pessoas e não possuir processos.

Pode conquistar clientes e não conseguir escalar a operação.

Pode crescer rapidamente e descobrir que não construiu estrutura para sustentar esse crescimento.

Por isso, existe uma frase que resume bem esse cenário:

Não basta empreender. É preciso aprender a gerir.


O que tudo isso significa para a sua empresa?

Talvez essa seja a parte mais importante do AG Weekly.

Porque informação só ganha valor empresarial quando ajuda a melhorar uma decisão.

No tributário, setembro exige simulação, e não apenas cumprimento de prazo.

No financeiro, juros elevados tornam caixa, margem e capital de giro ainda mais importantes.

Na gestão, a desaceleração exige eficiência antes da busca indiscriminada por mais faturamento.

Em pessoas, saúde mental precisa fazer parte da estrutura de gestão e liderança.

Em tecnologia, utilizar inteligência artificial é apenas o primeiro estágio; integrá-la ao negócio é o próximo.

E na liderança, ambientes mais complexos tornam a qualidade das decisões ainda mais determinante.

Não é coincidência que assuntos aparentemente tão diferentes estejam convergindo para a mesma palavra:

gestão.

As empresas que chegarem mais preparadas a 2027 provavelmente não serão aquelas que tentaram prever cada movimento do mercado.

Serão aquelas que construíram capacidade para ler cenários, organizar números, desenvolver pessoas e decidir melhor.

Porque:

A empresa de 2027 não será construída em janeiro.
Ela está sendo decidida agora.

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