Reforma Tributária, juros, gestão e a nova corrida global pela inteligência artificial

AG Weekly — 18 de setembro de 2026

O cenário está mudando. A vantagem está em decidir antes.

A semana termina com movimentos importantes para quem lidera uma empresa no Brasil.

A Reforma Tributária já deixou de ser um assunto distante e começa a exigir decisões práticas para 2027. A taxa Selic voltou a cair, mas o custo do dinheiro continua elevado. Empresas precisam equilibrar crescimento, produtividade e controle financeiro. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial avança rapidamente para além da geração de conteúdo e passa a ocupar processos, finanças, gestão e tomada de decisão.

No cenário internacional, Estados Unidos e China intensificam uma disputa tecnológica que envolve muito mais do que ChatGPT, Claude, Gemini, DeepSeek ou Qwen. Estamos falando de chips, infraestrutura, energia, dados, talentos, capital e capacidade de colocar inteligência artificial em escala.

São movimentos aparentemente diferentes, mas que apontam para uma mesma conclusão:

2027 já começou para quem precisa tomar decisões em 2026.

Neste AG Weekly, reunimos os acontecimentos que merecem atenção dos empresários e, principalmente, o que eles podem significar na prática para os negócios.


Reforma Tributária: setembro virou mês de decisão

A implementação da Reforma Tributária avança e setembro traz uma decisão importante para empresas enquadradas no Simples Nacional.

Até 30 de setembro, empresas precisam observar os procedimentos relacionados ao regime para 2027 e avaliar, conforme sua situação, a possibilidade de manter IBS e CBS dentro da sistemática do Simples ou recolher esses tributos pelo regime regular.

É uma escolha que não deve ser analisada apenas sob a perspectiva de quanto imposto será pago.

A decisão pode interferir no fluxo de caixa, no aproveitamento e na transferência de créditos tributários, na relação com clientes B2B, na formação de preços e até na competitividade da empresa dentro de determinadas cadeias produtivas.

Em outras palavras:

Seu Simples pode continuar simples. Sua decisão, não.

A Reforma Tributária está transformando uma questão tradicionalmente vista como contábil em uma decisão estratégica.

Não existe uma resposta universalmente melhor para todas as empresas. O cenário precisa ser analisado considerando regime tributário, perfil dos clientes, fornecedores, margens, estrutura de custos e posição da empresa na cadeia.

Por isso, esperar 2027 para começar a discutir 2027 pode ser tarde.

Fonte: Receita Federal do Brasil — orientações e comunicados oficiais sobre Simples Nacional, IBS e CBS.


A Reforma Tributária também chegou à tecnologia

Outro movimento importante passa quase despercebido fora das áreas contábil e fiscal: a infraestrutura tecnológica necessária para a nova tributação está sendo construída.

A Receita Federal vem publicando documentação técnica relacionada aos novos sistemas e APIs de apuração da CBS, enquanto empresas de tecnologia, ERPs e departamentos fiscais precisam preparar seus sistemas para a nova arquitetura tributária.

Isso reforça uma mensagem importante:

Reforma Tributária não é um projeto exclusivo da contabilidade.

Ela envolve contabilidade, fiscal, financeiro, tecnologia, comercial, compras, precificação e gestão.

Cadastros de produtos e serviços precisarão estar consistentes. Sistemas precisarão conversar corretamente. Classificações tributárias terão impacto direto na emissão de documentos e na apuração dos novos tributos.

E existe uma cadeia simples que todo empresário precisa compreender:

Cadastro errado gera informação errada.
Informação errada pode gerar tributação errada.
Tributação errada pode comprometer margem.
E margem errada produz decisões ruins.

Por isso, uma das perguntas que deveriam entrar na agenda das empresas ainda em 2026 é:

Seu ERP está pronto para 2027?

A preparação para a Reforma Tributária precisa envolver processos, pessoas e tecnologia — não apenas o escritório contábil.

Fonte: Receita Federal do Brasil — documentação técnica da CBS e materiais oficiais da Reforma Tributária.


Selic cai para 13,75%. Mas o dinheiro continua caro

No cenário econômico, o Comitê de Política Monetária reduziu, em 16 de setembro, a taxa Selic para 13,75% ao ano.

A continuidade do ciclo de redução dos juros é relevante para empresas e consumidores, mas existe uma diferença importante entre juros em queda e crédito barato.

O custo do capital continua elevado.

Para empresas, isso significa que decisões envolvendo expansão, financiamento, aquisição de equipamentos, aumento de estoque, antecipação de recebíveis ou abertura de novas unidades continuam exigindo análise criteriosa.

A pergunta não deveria ser apenas:

“Os juros caíram?”

A pergunta empresarial é:

“O retorno esperado desse investimento justifica o custo do capital?”

Em ambientes de juros elevados, erros estratégicos ficam mais caros.

Projetos que parecem viáveis olhando apenas para faturamento podem apresentar resultados completamente diferentes quando custo financeiro, prazo de retorno, margem e geração de caixa entram na conta.

Por isso, a redução da Selic é positiva, mas não elimina a necessidade de disciplina financeira.

Os juros caíram. O custo de errar ainda não.

Fonte: Banco Central do Brasil — Copom e série histórica da taxa Selic.


Sua empresa sabe quanto vende. Mas sabe quanto realmente ganha?

O ambiente econômico também reforça a importância da gestão financeira nos pequenos e médios negócios.

Faturamento continua sendo uma das métricas mais observadas pelos empresários. Mas faturamento, isoladamente, diz muito pouco sobre a saúde de uma empresa.

Uma organização pode vender mais e, ainda assim, gerar menos caixa.

Pode crescer e perder margem.

Pode apresentar lucro contábil e enfrentar dificuldade para pagar compromissos.

Pode aumentar a receita enquanto aumenta, em velocidade ainda maior, seus custos.

Por isso, conceitos como fluxo de caixa, DRE, margem de contribuição, ponto de equilíbrio, endividamento e capital de giro precisam deixar de ser informações restritas ao financeiro.

São instrumentos de decisão.

Em um ambiente de capital caro e mudanças tributárias profundas, conhecer os números deixa de ser uma vantagem administrativa.

Passa a ser condição para crescer com segurança.

A pergunta que fica para o empresário é simples:

Sua empresa sabe quanto vende. Mas sabe quanto realmente ganha?

Gestão financeira não começa quando surge um problema de caixa.

Ela existe justamente para que determinadas decisões sejam tomadas antes que o problema apareça.

Fonte: Sebrae — conteúdos e programas de gestão financeira para pequenos negócios.


Mais pessoas não corrigem processos ruins

Outro desafio empresarial aparece na gestão de pessoas.

Quando a performance começa a cair, uma das primeiras reações pode ser procurar mais profissionais, aumentar a cobrança sobre a equipe ou substituir pessoas.

Mas nem todo problema de desempenho é um problema de talento.

Muitas vezes, a origem está no próprio sistema de gestão.

Metas pouco claras.

Responsabilidades indefinidas.

Processos excessivamente manuais.

Falta de indicadores.

Comunicação fragmentada.

Ausência de acompanhamento.

Tecnologia mal utilizada.

Quando essas falhas existem, aumentar a equipe pode simplesmente aumentar o custo de uma operação que continua ineficiente.

Mais pessoas não corrigem processos ruins.

Antes de perguntar “quem está errando?”, gestores deveriam também perguntar:

“O nosso sistema permite que as pessoas performem?”

Uma empresa de alta performance não depende apenas de bons profissionais.

Ela precisa conectar pessoas, processos, indicadores, tecnologia e liderança.

É essa combinação que transforma esforço em resultado.


Liderança: o mercado muda antes do organograma

Essa discussão ganha ainda mais relevância quando falamos de liderança.

Tecnologias mudam.

Comportamentos mudam.

Modelos de negócio mudam.

A legislação muda.

A economia muda.

E líderes precisam tomar decisões enquanto essas transformações ainda estão acontecendo.

Liderança, portanto, não pode ser compreendida apenas como capacidade de motivar equipes.

Liderar também é interpretar cenários, estabelecer prioridades, comunicar direção e transformar informação em movimento.

O mercado muda. A liderança precisa evoluir antes.

É justamente nesse contexto que iniciativas de desenvolvimento de lideranças ganham importância.

O desafio contemporâneo não é simplesmente formar gestores capazes de administrar aquilo que já existe.

É desenvolver líderes capazes de conduzir organizações durante aquilo que ainda está mudando.


Radar IA: Estados Unidos × China

A corrida pela inteligência artificial entrou em uma nova fase

Durante muito tempo, a discussão pública sobre inteligência artificial ficou concentrada em ferramentas.

Qual modelo responde melhor?

Qual cria as melhores imagens?

Qual escreve melhor?

Qual é mais rápido?

Essa discussão continua relevante, mas já não explica sozinha o que está acontecendo.

A corrida global pela inteligência artificial tornou-se uma disputa por infraestrutura econômica.

Estados Unidos e China estão competindo em diferentes camadas de uma mesma transformação:

Modelos.
Chips.
Data centers.
Energia.
Dados.
Talentos.
Capital.
Software.
Distribuição.

A questão deixou de ser apenas quem desenvolve a IA mais poderosa.

Também importa quem consegue produzi-la em escala, reduzir seus custos, criar infraestrutura, atrair desenvolvedores e colocá-la dentro das empresas.


Estados Unidos: IA corporativa e governança ganham espaço

Nos Estados Unidos, empresas como OpenAI, Anthropic e Google continuam avançando seus modelos e aplicações corporativas.

Mas outro assunto começa a ganhar cada vez mais importância: segurança e governança.

A Anthropic publicou recentemente discussões e propostas relacionadas à medição da velocidade do desenvolvimento dos grandes laboratórios de IA, além de divulgar análises sobre usos maliciosos identificados em seus sistemas.

Grandes laboratórios também vêm mantendo discussões sobre segurança de modelos avançados.

Para uma pequena ou média empresa brasileira, isso pode parecer distante.

Não é.

Quanto mais inteligência artificial entra na operação, mais algumas perguntas precisam ser respondidas:

Quem pode inserir informações da empresa em uma IA?

Documentos financeiros podem ser enviados?

Dados de clientes podem ser utilizados?

Quem valida uma análise produzida por inteligência artificial?

Quais processos podem ser automatizados?

Quem continua responsável pela decisão final?

Por isso, uma nova pergunta começa a fazer sentido dentro das empresas:

Sua empresa já usa IA. Mas ela tem uma política para isso?

Governança de inteligência artificial não será assunto apenas de grandes corporações.

À medida que essas ferramentas se tornarem parte da rotina de trabalho, políticas internas de utilização, segurança e validação também precisarão evoluir.

Fontes: Anthropic, OpenAI e publicações especializadas sobre segurança e governança de IA.


China: custo, escala e adoção

Do outro lado da disputa, empresas chinesas vêm ampliando rapidamente a presença de seus modelos.

DeepSeek, Alibaba com a família Qwen e outros laboratórios ajudaram a colocar outra variável no centro da corrida:

custo.

Não basta construir modelos extremamente avançados.

É preciso tornar sua utilização economicamente viável para milhões de pessoas e empresas.

A estratégia chinesa também tem chamado atenção pela disseminação de modelos mais abertos e pela velocidade de adoção.

Isso produz uma questão estratégica interessante.

Talvez a verdadeira corrida da inteligência artificial não seja apenas pelo melhor modelo.

Pode ser pela maior adoção.

Na história da tecnologia, nem sempre a tecnologia tecnicamente superior foi aquela que gerou maior transformação econômica.

Distribuição, preço, ecossistema e facilidade de adoção também importam.

E isso deveria chamar a atenção dos empresários.

Uma tecnologia começa a transformar um mercado não quando impressiona em uma demonstração.

Ela transforma um mercado quando milhares de empresas começam a utilizá-la para operar melhor, mais rápido ou com menor custo.


EUA × China: uma disputa maior do que ChatGPT × DeepSeek

Reduzir essa competição a uma disputa entre ferramentas seria perder a dimensão econômica do movimento.

A inteligência artificial depende de semicondutores avançados.

Semicondutores dependem de cadeias globais extremamente sofisticadas.

Data centers demandam grandes volumes de energia.

Modelos precisam de dados, pesquisadores, engenheiros e capital.

Aplicações precisam de distribuição.

E empresas precisam transformar tudo isso em produtividade.

É por isso que a disputa entre Estados Unidos e China envolve tecnologia, infraestrutura, investimentos e cadeias produtivas.

A próxima disputa global também será por inteligência.

Mas, para o empresário brasileiro, a pergunta mais importante não é tentar prever qual país ou laboratório ocupará a liderança.

A pergunta é:

Como sua empresa pretende competir em uma economia cada vez mais movida por inteligência artificial?


Sua empresa ainda usa IA só para escrever?

Essa talvez seja uma das perguntas empresariais mais importantes para os próximos anos.

A primeira fase da inteligência artificial generativa dentro das empresas foi marcada por geração de textos, imagens, apresentações, resumos e conteúdos.

Isso gerou produtividade.

Mas estamos entrando em uma segunda fase.

A inteligência artificial começa a chegar aos processos.

No financeiro, pode apoiar análises de fluxo de caixa, cenários e indicadores.

No comercial, pode ajudar a identificar oportunidades e organizar informações sobre clientes.

No RH, pode apoiar análises de indicadores e processos internos.

No marketing, pode cruzar informações e acelerar inteligência de mercado.

Na operação, agentes de IA começam a executar tarefas que antes exigiam diversas etapas manuais.

Na gestão, modelos podem ajudar executivos a interpretar grandes volumes de informações antes de uma decisão.

A discussão, portanto, precisa mudar.

Em vez de perguntar:

“Qual IA sua empresa usa?”

Talvez seja melhor perguntar:

“Qual resultado a IA está produzindo?”

Porque inteligência artificial sem processo pode ser apenas mais uma ferramenta.

Inteligência artificial conectada a dados, processos, indicadores e pessoas pode se tornar infraestrutura de gestão.

E existe um princípio importante nessa transformação:

IA não substitui gestão. Ela amplifica a gestão que você já tem.

Uma empresa desorganizada pode automatizar a própria desorganização.

Uma empresa estruturada pode utilizar inteligência artificial para ampliar sua capacidade de analisar, executar e decidir.


A leitura da AG

Reforma Tributária.

Selic.

Gestão financeira.

Pessoas.

Liderança.

Inteligência artificial.

À primeira vista, são assuntos completamente diferentes.

Mas existe algo conectando todos eles:

decisão.

Empresas não controlam a taxa de juros.

Não controlam mudanças tributárias.

Não controlam a velocidade da evolução tecnológica.

Não controlam todos os movimentos do mercado.

Mas podem controlar como se preparam para eles.

Podem organizar dados.

Podem acompanhar indicadores.

Podem revisar processos.

Podem desenvolver lideranças.

Podem melhorar sua estrutura financeira.

Podem utilizar tecnologia de maneira estratégica.

E podem tomar decisões antes que mudanças externas se transformem em problemas internos.

Por isso, talvez a principal reflexão desta edição seja também uma das mais simples:

Estratégia é enxergar o movimento antes que ele vire tendência.

Números mostram o que aconteceu.

Informação ajuda a compreender o que está acontecendo.

Estratégia define o que fazer a partir disso.

E, em um ambiente empresarial cada vez mais rápido, complexo e conectado, essa capacidade de transformar informação em direção pode ser uma das maiores vantagens competitivas de uma organização.

AG Consultoria
Estratégia, gestão e inteligência para decisões que constroem o futuro.