O governo federal anunciou nesta quinta-feira (27/02/2026) um recuo significativo na elevação do Imposto de Importação (II) implementada no início de fevereiro. Após forte reação do mercado e da sociedade, 105 produtos terão alíquota zerada e 15 itens retornarão às taxas originais, incluindo smartphones e CPUs.
A decisão foi tomada pelo Gecex (Comitê-Executivo de Gestão) da Camex (Câmara de Comércio Exterior) e já vale a partir da publicação no Diário Oficial da União.
A AG Consultoria analisa os impactos dessa reviravolta tributária e o que sua empresa precisa saber.
O Que Mudou: Resumo Executivo
Produtos com II Zerado:
- 105 itens que tiveram aumento em fevereiro voltam à alíquota zero
- Decisão atendeu pedidos de empresas até 25 de fevereiro
Produtos com Alíquota Original Restaurada:
- 15 itens retornam às taxas anteriores ao aumento
- Destaque: Smartphones (voltam de 20% para 16%)
- Destaque: CPUs (voltam de 7,2% para 0%)
Produtos que Mantêm Aumento:
- Mais de 1.000 produtos ainda permanecem com alíquotas elevadas
- Bens de capital, máquinas industriais e meios de transporte
A Polêmica dos Smartphones
Cronologia:
4 de fevereiro de 2026:
- Governo aumenta II de smartphones de 16% para 20%
- Reação negativa imediata, especialmente nas redes sociais
27 de fevereiro de 2026:
- Governo recua e restabelece alíquota de 16%
- Reconhece pressão do mercado e consumidores
Por Que o Recuo?
Pressão Popular:
- Revolta nas redes sociais
- Impacto direto no bolso do consumidor
- Produto de alto valor e alta demanda
Pressão do Setor:
- Importadores e varejistas
- Risco de aumento de preços ao consumidor final
- Possível redução de vendas
CPUs: De 7,2% Para Zero
Outro recuo importante foi nas CPUs (Unidade Central de Processamento):
Antes: Alíquota zero
Fevereiro 2026: Subiu para 7,2%
Agora: Voltou a zero
Impacto:
- Setor de tecnologia respirou aliviado
- Montadoras de computadores evitam repasse de custos
- Consumidor final não sente aumento
Entenda o Aumento Original do II
O Que Aconteceu em 4 de Fevereiro
O governo Lula elevou alíquotas de Imposto de Importação sobre mais de 1.200 produtos, incluindo:
- Smartphones
- Máquinas industriais
- Meios de transporte
- Bens de capital
- Produtos de informática e telecomunicações
A Lógica do Aumento:
Faixas estabelecidas:
| Alíquota Original | Nova Alíquota Mínima |
|---|---|
| Abaixo de 7,0% | 7,0% |
| Entre 7,0% e 12,6% | 12,6% |
| Entre 12,7% e 20,0% | 20,0% |
Exceções: Diversos produtos ficaram com alíquotas intermediárias entre as faixas previstas.
Quem Assinou:
Vice-presidente e ministro do Comércio Geraldo Alckmin (PSB) através da Resolução nº 852/2026.
Exceção importante: Produtos do setor aeronáutico não foram afetados.
O Contexto Internacional: Guerra Tarifária
O Paradoxo Brasileiro
O aumento brasileiro veio em meio à guerra tarifária iniciada pelos Estados Unidos:
20 de fevereiro de 2026:
- Suprema Corte dos EUA barra “tarifaço” de Donald Trump
- Brasil era um dos alvos das tarifas americanas
- Governo Lula criticava duramente medida dos EUA
O paradoxo:
- Brasil critica tarifas americanas
- Mas aumenta as próprias tarifas de importação
- Gera questionamento sobre coerência da política comercial
Promessa de Trump:
- Presidente americano prometeu novo decreto
- Deve restabelecer alíquotas elevadas
- Tensão comercial permanece
Análise AG Consultoria: O Que Isso Significa
1. Política Tributária Errática
Alisson Galdino, CEO da AG Consultoria, analisa:
“Aumentar tarifas em 4 de fevereiro e recuar parcialmente em 27 de fevereiro revela falta de planejamento e diálogo prévio com o setor produtivo. Empresas precisam de previsibilidade para planejar importações, estoques e precificação. Mudanças abruptas geram insegurança e custos operacionais.”
2. Vencedores e Perdedores
VENCEDORES: ✅ Consumidores de smartphones e CPUs
✅ Importadores dos 105 produtos isentos
✅ Setor de tecnologia e informática
✅ Empresas que solicitaram revisão até 25/02
PERDEDORES: ❌ Importadores dos 1.000+ produtos que mantêm aumento
❌ Indústrias dependentes de bens de capital importados
❌ Consumidor final de produtos ainda taxados
❌ Previsibilidade do ambiente de negócios
3. Impacto Fiscal Indefinido
Ponto de atenção:
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) afirmou não ter estimativas de impacto fiscal, argumentando que “decisões sobre o II não têm como fim o aumento da arrecadação.”
Análise AG:
“Toda mudança tributária tem impacto fiscal. Não apresentar estimativas gera dúvidas sobre transparência e planejamento. Empresas precisam entender se há compensação prevista e como isso afeta a carga tributária geral.” – Alisson Galdino
O Que Sua Empresa Precisa Fazer AGORA
Passo 1: Identifique Seus Produtos
Perguntas essenciais:
- Sua empresa importa algum dos 105 produtos isentos?
- Algum dos 15 produtos com alíquota reduzida?
- Ou produtos que mantiveram o aumento?
Ação: Cruze sua lista de importações com a lista oficial (disponível para download no DOU)
Passo 2: Recalcule Custos
Para produtos isentos ou com redução:
- Recalcule custo de importação
- Avalie possibilidade de redução de preço ao consumidor
- Ou ampliação de margem
Para produtos que mantêm aumento:
- Calcule impacto no custo final
- Avalie necessidade de repassar ao preço
- Considere alternativas de fornecedores nacionais
Passo 3: Revise Contratos
Contratos de fornecimento:
- Há cláusula de reajuste por tributos?
- Precisa renegociar com fornecedores?
- Preços podem ser revistos?
Contratos com clientes:
- Como comunicar mudanças de preço?
- Há compromissos de preço fixo afetados?
Passo 4: Acompanhe Regulamentação
Fique atento:
- Publicação oficial no DOU
- Possíveis novas mudanças
- Regulamentação de casos específicos
- Esclarecimentos da Receita Federal
Passo 5: Planeje Importações
Estratégia de curto prazo:
- Aproveite produtos com isenção recuperada
- Evite estocar produtos com aumento mantido
- Diversifique fornecedores (nacionais e importados)
Estratégia de médio prazo:
- Avalie nacionalização de componentes
- Negocie contratos de longo prazo com proteção tributária
- Considere hedging cambial (dólar + tributo)
Setores Mais Impactados
TECNOLOGIA E INFORMÁTICA
Impacto positivo:
- Smartphones voltam a 16%
- CPUs zerados
- Possível redução de preços ao consumidor
Recomendação AG: Importadores devem aproveitar momento para recuperar vendas perdidas em fevereiro.
INDÚSTRIA E BENS DE CAPITAL
Impacto negativo:
- Maioria dos produtos mantém aumento
- Máquinas e equipamentos mais caros
- Pressão em margem de indústrias
Recomendação AG: Avaliar nacionalização ou fornecedores alternativos. Calcular impacto no fluxo de caixa.
VAREJO E IMPORTAÇÃO
Impacto misto:
- Alguns produtos beneficiados
- Outros mantêm aumento
- Necessidade de revisão de toda estrutura de custos
Recomendação AG: Revisão completa de mix de produtos e precificação.
Comparativo: Antes, Durante e Depois
Exemplo: Smartphone Importado
| Período | Alíquota II | Custo Importação* | Preço Final Estimado** |
|---|---|---|---|
| Até 3/fev/2026 | 16% | R$ 2.320 | R$ 4.000 |
| 4 a 26/fev/2026 | 20% | R$ 2.400 | R$ 4.140 |
| A partir de 27/fev | 16% | R$ 2.320 | R$ 4.000 |
*Considerando produto de US$ 400 + frete/seguro
**Estimativa com margem e impostos internos
Economia para o consumidor: R$ 140 por aparelho
Exemplo: CPU Importada
| Período | Alíquota II | Custo Importação* | Preço Final Estimado** |
|---|---|---|---|
| Até 3/fev/2026 | 0% | R$ 1.000 | R$ 1.800 |
| 4 a 26/fev/2026 | 7,2% | R$ 1.072 | R$ 1.930 |
| A partir de 27/fev | 0% | R$ 1.000 | R$ 1.800 |
*Considerando produto de US$ 200 + frete/seguro
**Estimativa com margem e impostos internos
Economia para o consumidor: R$ 130 por CPU
Lições Para Empresários
1. Previsibilidade É Ouro
Mudanças tributárias abruptas custam caro:
- Replanejamento de custos
- Revisão de contratos
- Ajuste de sistemas
- Comunicação com clientes
- Renegociação com fornecedores
Custo invisível: Tempo de gestão desviado da operação.
2. Diversificação Reduz Risco
Empresas 100% dependentes de importação sofrem mais:
- Considere mix de fornecedores nacionais e importados
- Avalie nacionalização de componentes críticos
- Tenha plano B para insumos essenciais
3. Acompanhamento Ativo É Essencial
Empresas que solicitaram revisão até 25/02 foram beneficiadas.
Isso mostra: acompanhar regulamentação e participar ativamente faz diferença.
Recomendação AG:
- Participe de associações setoriais
- Acompanhe publicações oficiais
- Tenha canal com despachantes aduaneiros
- Consulte especialistas tributários
4. Planejamento Tributário É Estratégico
Não é “tarefa do contador”. É estratégia de negócio.
Perguntas estratégicas:
- Vale a pena importar ou nacionalizar?
- Qual a estrutura tributária mais eficiente?
- Como proteger margem de oscilações tributárias?
- Há regimes especiais aplicáveis?
Próximos Passos da Regulamentação
O Que Acompanhar:
Curto prazo (março 2026):
- Esclarecimentos da Receita Federal sobre casos específicos
- Possíveis ajustes adicionais (outros produtos podem ser revistos)
- Reação do mercado aos novos preços
Médio prazo (2026):
- Impacto na balança comercial brasileira
- Eventual retomada de tarifas americanas (Trump)
- Novos pedidos de revisão setorial
Longo prazo:
- Reforma Tributária (IBS/CBS) pode alterar lógica de importação
- Tratados comerciais em negociação (Mercosul-UE, etc.)
- Estratégia industrial do governo para substituição de importações
Checklist: Sua Empresa Está Preparada?
DIAGNÓSTICO:
- Identifiquei produtos importados afetados
- Calculei impacto financeiro real
- Revisei contratos de fornecimento
- Avaliei possibilidade de redução de preços
- Considerei alternativas de nacionalização
AÇÃO:
- Atualizei sistema de custos
- Comuniquei mudanças à equipe comercial
- Renegociei com fornecedores/clientes
- Ajustei precificação onde necessário
- Documentei nova estrutura de custos
MONITORAMENTO:
- Acompanho publicações do DOU
- Participo de associação setorial
- Tenho consultoria tributária ativa
- Reviso trimestralmente estrutura de importação
- Mantenho plano B para produtos críticos
A AG Consultoria Pode Ajudar
Nossos serviços:
Diagnóstico de Impacto
- Análise de produtos importados
- Cálculo de impacto financeiro
- Identificação de oportunidades
Planejamento Tributário
- Revisão de estrutura de importação
- Avaliação de regimes especiais
- Estratégia de nacionalização
Monitoramento Regulatório
- Acompanhamento de mudanças
- Alertas sobre novas regras
- Análise de impacto setorial
Consultoria Estratégica
- Revisão de mix de produtos
- Reestruturação de cadeia de suprimentos
- Planejamento de longo prazo
Conclusão
O recuo parcial do governo no aumento do Imposto de Importação traz alívio para consumidores e empresas dos setores de tecnologia e dos 105 produtos isentos.
Mas a lição permanece:
Mudanças tributárias erráticas custam caro.
Empresas precisam de:
- Previsibilidade
- Diálogo prévio
- Transparência fiscal
- Tempo para se adaptar
Para empresários:
Não espere o governo estabilizar. Prepare-se para instabilidade.
Diversifique fornecedores. Acompanhe regulamentação. Tenha plano B. Invista em planejamento tributário.
Porque na dúvida tributária, quem se prepara prospera. Quem espera, sofre.
Fale com a AG Consultoria | Especialistas em Planejamento Tributário e Importação
Disclaimer Legal
Este conteúdo tem caráter informativo baseado em publicações oficiais de 27/02/2026. Recomenda-se consulta especializada para análise de impacto específico em cada operação de importação. A AG Consultoria oferece diagnóstico personalizado de impacto tributário.
Fontes: Gecex, Camex, Mdic, Diário Oficial da União