AG WEEKLY | 09 DE OUTUBRO DE 2026
O ambiente de negócios brasileiro chega à segunda semana de outubro com desafios que exigem mais do que atenção às notícias. Mudanças tributárias, inflação persistente, juros elevados, avanço da inteligência artificial e transformações no mercado de trabalho estão influenciando decisões de investimento, contratação, precificação e crescimento.
Para os empresários, a questão central não é apenas acompanhar esses acontecimentos, mas compreender como eles afetam a operação, os custos e a capacidade de gerar resultados.
Nesta edição do AG Weekly, reunimos sete movimentos relevantes para o cenário empresarial brasileiro e suas implicações práticas para a gestão.
1. Reforma Tributária: as decisões de 2027 começam agora
A implementação da Reforma Tributária sobre o consumo avança e exige atenção das empresas, especialmente daquelas enquadradas no Simples Nacional.
O novo sistema, baseado na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), modifica a lógica de tributação do consumo e cria decisões importantes sobre o aproveitamento de créditos, o relacionamento entre fornecedores e clientes e a formação de preços.
Para empresas do Simples Nacional, uma das questões centrais é avaliar as diferenças entre manter o recolhimento dos novos tributos dentro do regime simplificado e optar pelo recolhimento separado, quando permitido pelas regras aplicáveis.
Essa escolha pode produzir efeitos comerciais distintos, especialmente nas operações entre empresas.
Os períodos de opção e eventuais possibilidades de alteração devem ser conferidos diretamente nos atos e orientações oficiais da Receita Federal antes de qualquer decisão.
Leitura estratégica AG
A Reforma Tributária não deve ser tratada apenas como uma mudança de impostos. Ela também pode modificar a competitividade das empresas.
Avaliar somente a carga tributária nominal é insuficiente. É necessário considerar margens, estrutura de custos, perfil dos clientes, fornecedores, créditos tributários e capacidade administrativa.
O planejamento tributário passa a ter uma relação ainda mais direta com as decisões comerciais e financeiras.
2. Inflação projetada em 5,01% reforça a atenção às margens
O Boletim Focus divulgado em 5 de outubro apresentou uma nova elevação da expectativa do mercado financeiro para a inflação brasileira em 2026.
A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,99% para 5,01%, acima do limite superior de 4,5% da meta de inflação.
O mesmo levantamento apresentou expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,85%, Selic de 13,50% ao ano no encerramento de 2026 e dólar projetado em R$ 5,20.
Esses números representam expectativas dos participantes da pesquisa, não resultados realizados ou previsões próprias do Banco Central.
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Em um cenário de inflação persistente e crédito caro, as empresas precisam acompanhar com maior frequência seus custos operacionais, preços, margens e necessidades de capital de giro.
O aumento do faturamento, isoladamente, não garante crescimento do lucro.
Uma empresa pode vender mais e, ainda assim, apresentar deterioração financeira quando os custos crescem em ritmo superior à capacidade de repasse aos preços.
O indicador mais importante não é apenas quanto a empresa vende, mas quanto consegue transformar dessas vendas em resultado.
3. Tributação lidera as preocupações dos empresários brasileiros
Uma sondagem divulgada pelo FGV IBRE em 7 de outubro de 2026, realizada com aproximadamente quatro mil empresas, identificou os principais temas considerados prioritários pelos empresários brasileiros.
A tributação apareceu na liderança, mencionada por 54,2% dos participantes.
Também foram apontadas as contas públicas (27,1%), a redução da burocracia (24,8%), a infraestrutura e logística (24,7%) e o acesso ao crédito (15,6%).
Os participantes podiam selecionar até três prioridades, portanto os percentuais não representam categorias mutuamente exclusivas.
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Os resultados mostram que a preocupação empresarial com a tributação vai além dos valores recolhidos.
Complexidade regulatória, custos de conformidade, insegurança jurídica e dificuldade de planejamento também interferem nas decisões de investimento e expansão.
Esse cenário reforça a importância de uma contabilidade integrada à estratégia empresarial, capaz de apoiar análises de risco, planejamento tributário e tomada de decisão.
Contabilidade estratégica não começa na apuração do imposto. Começa na compreensão do negócio.
4. Inteligência artificial avança entre pequenos negócios brasileiros
A inteligência artificial está deixando de ser uma tecnologia restrita às grandes empresas.
Pesquisa do Sebrae divulgada em agosto de 2026, com 7.182 empreendedores, identificou que 52% haviam utilizado inteligência artificial nas duas semanas anteriores à entrevista.
O levantamento também mostrou que 60% pretendiam começar ou ampliar o uso da tecnologia no semestre seguinte, enquanto 46% precisaram desenvolver novos fluxos de trabalho para incorporar essas ferramentas.
Entre os negócios que utilizavam inteligência artificial, 90% não haviam alterado o número de funcionários em razão da tecnologia nos seis meses anteriores.
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O avanço da inteligência artificial cria oportunidades de produtividade, mas também exige revisão de processos.
Automatizar tarefas sem compreender os fluxos de trabalho pode acelerar erros, ampliar inconsistências e dificultar o controle das operações.
Para produzir resultados, a tecnologia precisa estar conectada a objetivos, indicadores, capacitação e governança.
A vantagem competitiva não está simplesmente em utilizar inteligência artificial. Está em saber onde aplicá-la e como medir seus resultados.
5. Mercado de trabalho: contratar mais não significa produzir melhor
O Novo Caged registrou saldo positivo de 165.827 empregos formais em agosto de 2026.
No acumulado de janeiro a agosto, foram criadas 1.134.033 vagas formais, com participação relevante dos setores de serviços, construção e indústria.
O salário médio real de admissão em agosto foi de R$ 2.410,74.
Embora a geração de empregos seja um indicador importante da atividade econômica, a expansão das equipes também exige atenção à produtividade e à qualidade da gestão.
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O crescimento do quadro de funcionários precisa ser acompanhado por processos claros, definição de responsabilidades, integração de novos colaboradores e desenvolvimento de lideranças.
Contratações realizadas sem planejamento podem ampliar custos fixos sem produzir o retorno esperado.
Por isso, indicadores como produtividade por colaborador, rotatividade, absenteísmo, tempo de integração e desempenho das equipes devem fazer parte da gestão.
Contratar é ampliar a estrutura. Desenvolver pessoas e processos é transformar essa estrutura em resultado.
6. Pequenos negócios continuam impulsionando a abertura de empresas
Levantamento do Sebrae divulgado em setembro apontou a abertura de aproximadamente 478,6 mil pequenos negócios em agosto de 2026.
Esses empreendimentos representaram 96,7% das empresas abertas no período, com destaque para o setor de serviços, responsável por 63,9% das novas aberturas de pequenos negócios.
Os dados evidenciam a relevância do empreendedorismo para a economia brasileira, mas também reforçam a necessidade de transformar a formalização em sustentabilidade empresarial.
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A abertura de uma empresa representa apenas o primeiro passo de uma jornada que exige planejamento e disciplina de gestão.
Controle financeiro, definição de preços, planejamento tributário, processos comerciais e acompanhamento de indicadores são fundamentais para sustentar o crescimento.
O empresário precisa compreender que faturamento, lucratividade e geração de caixa são dimensões diferentes da saúde de um negócio.
Abrir uma empresa é uma decisão. Construir uma empresa sustentável exige estratégia.
7. Liderança e RH: reconhecimento estratégico precisa virar execução
Um estudo da Myndz em parceria com a Fundação Dom Cabral, realizado com 65 executivos de Recursos Humanos, identificou diferenças entre o reconhecimento da importância estratégica da área e sua preparação para os desafios futuros.
Segundo o levantamento, 87,5% dos participantes afirmaram que o CEO reconhece o RH como parceiro estratégico.
Entretanto, apenas 61,5% consideraram o modelo atual da área preparado para sustentar a estratégia futura da organização.
Os resultados apontam para um desafio relevante: transformar o reconhecimento institucional em capacidade efetiva de execução.
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Uma área de Recursos Humanos estratégica precisa estar conectada aos objetivos do negócio.
Isso envolve indicadores de desempenho, desenvolvimento de lideranças, planejamento de pessoas, gestão de competências e participação nas decisões organizacionais.
O mesmo princípio se aplica aos gestores de outras áreas: responsabilidade sem processos, autonomia e critérios claros dificilmente gera resultados consistentes.
Uma liderança forte não depende apenas de boas decisões individuais. Depende de uma estrutura capaz de transformar decisões em execução.
O que esses movimentos revelam sobre o futuro das empresas?
Embora tratem de assuntos diferentes, os acontecimentos desta semana apontam para uma mesma necessidade: maior integração entre estratégia, operação e gestão.
A Reforma Tributária exige planejamento. A inflação exige controle financeiro. A inteligência artificial exige processos. O crescimento empresarial exige liderança e desenvolvimento de pessoas.
Esses desafios não podem ser tratados de maneira isolada.
Uma decisão tributária interfere na precificação. A precificação afeta as margens. As margens influenciam a capacidade de investir. Os investimentos dependem de planejamento financeiro, pessoas e produtividade.
É essa conexão que diferencia uma gestão reativa de uma gestão estratégica.
Visão AG: crescer não é apenas fazer mais. É decidir melhor.
O ambiente empresarial continuará exigindo capacidade de adaptação, mas adaptação não deve ser confundida com improviso.
Empresas mais preparadas são aquelas que conhecem seus números, acompanham mudanças regulatórias, desenvolvem suas equipes e utilizam tecnologia com objetivos claros.
O crescimento sustentável depende da capacidade de antecipar riscos, identificar oportunidades e transformar informações em decisões.
O cenário econômico não está inteiramente sob o controle do empresário. A qualidade da gestão e a preparação da empresa, sim.
Na AG Consultoria, acreditamos que contabilidade, planejamento tributário, BPO Financeiro, Recursos Humanos e consultoria empresarial devem funcionar de forma integrada, apoiando decisões que contribuam para a evolução dos negócios.
AG Consultoria — Muito além da contabilidade.
Fontes e referências
- Banco Central do Brasil — Boletim Focus
- Receita Federal — Reforma Tributária e orientações oficiais
- FGV IBRE — Sondagens empresariais
- Agência Sebrae de Notícias — Inteligência artificial e pequenos negócios
- Ministério do Trabalho e Emprego — Novo Caged
- Fundação Dom Cabral — Estudos sobre gestão e liderança
AG Weekly — Edição de 09 de outubro de 2026. As projeções econômicas representam expectativas disponíveis nas datas mencionadas e estão sujeitas a alterações. Dados de pesquisas devem ser interpretados conforme suas respectivas metodologias.
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