Outubro de 2026 começa com decisões importantes para as empresas brasileiras. A Reforma Tributária estabelece novos prazos para o Simples Nacional, os dados do mercado de trabalho revelam crescimento das contratações e a inteligência artificial amplia os desafios relacionados à governança e à proteção de dados.
Ao mesmo tempo, o cenário econômico exige atenção ao custo do capital, ao fluxo de caixa e à produtividade. Para empresários e gestores, esses movimentos representam mais do que notícias: são fatores que podem influenciar o planejamento e os resultados dos próximos meses.
Nesta edição do AG Weekly, analisamos quatro movimentos que merecem atenção e suas consequências práticas para a gestão empresarial.
1. Reforma Tributária: outubro será decisivo para empresas do Simples Nacional
A implementação da Reforma Tributária sobre o consumo avança para uma etapa importante. A Receita Federal confirmou novos prazos para decisões relacionadas ao Simples Nacional e à forma de recolhimento do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em 2027.
As empresas que desejam ingressar ou retornar ao Simples Nacional em 2027 poderão realizar a opção até 15 de outubro de 2026. Já as empresas optantes que desejam recolher IBS e CBS pelo regime regular terão até 30 de outubro para realizar essa escolha, com efeitos no primeiro semestre de 2027.
São procedimentos diferentes, com consequências que precisam ser analisadas individualmente.
Simples Nacional ou recolhimento regular de IBS e CBS?
A possibilidade de recolher IBS e CBS pelo regime regular, mantendo o enquadramento no Simples Nacional para os demais tributos, introduz uma decisão que exige atenção ao modelo de negócios.
Essa escolha pode produzir efeitos diferentes conforme o perfil dos clientes, a estrutura de fornecedores, as margens e a dinâmica de aproveitamento de créditos tributários.
Empresas que vendem predominantemente para outras empresas podem enfrentar condições diferentes daquelas que atendem diretamente ao consumidor final.
Por isso, a análise não deve considerar apenas a carga tributária aparente. É necessário avaliar os possíveis impactos comerciais, financeiros e operacionais.
O que o empresário precisa avaliar?
- Perfil dos clientes e fornecedores.
- Possibilidade de geração e aproveitamento de créditos tributários.
- Impactos sobre preços e margens de contribuição.
- Necessidade de adaptação dos sistemas fiscais e financeiros.
- Efeitos da escolha sobre o fluxo de caixa.
Leitura AG: a Reforma Tributária exige que contabilidade, financeiro e gestão trabalhem de maneira integrada. O prazo adicional deve ser utilizado para realizar simulações e compreender os efeitos de cada alternativa antes da decisão.
Mais do que cumprir uma obrigação, o desafio é preservar a competitividade e preparar a empresa para a nova estrutura tributária.
Fonte: Receita Federal — Novos prazos do Simples Nacional para 2027.
2. Mercado de trabalho: Brasil cria mais de 165 mil empregos, mas contratação exige produtividade
O mercado de trabalho brasileiro apresentou saldo positivo de 165.827 empregos formais em agosto de 2026, segundo os dados do Novo Caged, divulgados em 29 de setembro pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Entre janeiro e agosto, o país acumulou 1.134.033 novos postos formais. O setor de serviços liderou a geração de empregos no período, com 697.859 vagas, seguido pela construção, com 200.431, e pela indústria, com 170.442.
Os números mostram a continuidade da geração de empregos, mas também levantam uma questão relevante para empresários: o crescimento das equipes está acompanhado de ganhos de produtividade?
Contratar mais significa produzir melhor?
O aumento do quadro de funcionários pode ser necessário para sustentar o crescimento. Entretanto, quando não existe planejamento, também pode ampliar despesas sem produzir ganhos proporcionais de eficiência.
Antes de abrir novas vagas, é importante avaliar a distribuição de responsabilidades, a capacidade operacional, os indicadores de desempenho e os processos existentes.
Uma contratação bem planejada deve responder a uma necessidade real do negócio.
Isso exige identificar gargalos, compreender a demanda, estabelecer metas e avaliar se a estrutura atual está sendo utilizada de maneira eficiente.
Leitura AG: o crescimento das equipes precisa estar conectado à estratégia empresarial. Gestão de pessoas não se limita ao recrutamento: envolve planejamento, desenvolvimento de lideranças, organização de processos e acompanhamento de resultados.
A questão não é simplesmente contratar mais, mas construir uma estrutura capaz de transformar pessoas e recursos em resultados sustentáveis.
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego — Novo Caged, agosto de 2026.
3. Economia: o custo do capital continua exigindo disciplina financeira
O cenário econômico brasileiro mantém a gestão financeira entre as prioridades das empresas. As decisões de política monetária, o comportamento da inflação e as condições de crédito influenciam diretamente investimentos, financiamentos e necessidades de capital de giro.
Para pequenas e médias empresas, acompanhar esses indicadores é importante, mas não suficiente. O principal desafio está em compreender como as condições econômicas afetam a própria operação.
O crescimento precisa ser financeiramente sustentável
Uma empresa pode aumentar seu faturamento e, ao mesmo tempo, enfrentar dificuldades financeiras.
Isso acontece quando o crescimento exige investimentos, amplia despesas ou compromete o capital de giro sem produzir retorno suficiente.
Em um ambiente de crédito que exige cautela, decisões sobre expansão, contratação, estoques e financiamento precisam estar apoiadas em informações confiáveis.
Entre os indicadores que merecem acompanhamento estão o fluxo de caixa projetado, a margem de contribuição, o endividamento, o ponto de equilíbrio e o retorno esperado dos investimentos.
Também é importante analisar diferentes cenários, considerando possíveis variações de receita, custos e despesas financeiras.
Leitura AG: o planejamento financeiro não deve começar quando o caixa apresenta problemas. Ele precisa orientar as decisões antes que os recursos sejam comprometidos.
O BPO Financeiro, associado à contabilidade gerencial e ao acompanhamento de indicadores, pode contribuir para uma visão mais clara da situação econômica da empresa.
O objetivo é transformar números em informações úteis para decidir quando investir, onde reduzir desperdícios e como preservar a capacidade financeira do negócio.
Fonte: Banco Central — Relatórios de Política Monetária.
4. Inteligência artificial: produtividade sem governança pode ampliar riscos
A inteligência artificial continua ampliando suas aplicações no ambiente empresarial. Ferramentas capazes de produzir conteúdo, analisar informações e automatizar atividades já fazem parte de diferentes processos administrativos e operacionais.
Entretanto, a expansão dessas tecnologias também aumenta a necessidade de estabelecer critérios para o tratamento de informações e para a supervisão das atividades automatizadas.
Em agosto, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) publicou a metodologia de testagem de seu Sandbox Regulatório em Inteligência Artificial e Proteção de Dados.
A iniciativa acompanha soluções tecnológicas em ambiente supervisionado e busca produzir evidências relacionadas à transparência, à explicabilidade e à proteção de dados pessoais.
O movimento reforça a importância de discutir não apenas as possibilidades da inteligência artificial, mas também os cuidados necessários para sua utilização.
Sua empresa sabe quais informações estão sendo compartilhadas com ferramentas de IA?
Em muitas organizações, profissionais utilizam ferramentas de inteligência artificial para acelerar tarefas cotidianas. Entretanto, a ausência de orientações internas pode resultar no compartilhamento inadequado de informações comerciais, financeiras ou pessoais.
Antes de ampliar a utilização dessas tecnologias, as empresas precisam estabelecer critérios claros.
- Quais ferramentas podem ser utilizadas pelos colaboradores?
- Quais informações estão autorizadas a ser compartilhadas?
- Como os resultados produzidos pela inteligência artificial serão verificados?
- Quem será responsável pela supervisão das atividades automatizadas?
- Quais processos precisam ser organizados antes da automação?
Leitura AG: inteligência artificial não substitui a necessidade de processos bem estruturados, indicadores confiáveis e responsabilidades claramente definidas.
Automatizar atividades sem compreender sua finalidade pode acelerar problemas existentes.
O caminho mais consistente é identificar oportunidades reais de aplicação, estabelecer critérios de segurança e avaliar os resultados obtidos.
A tecnologia deve servir à estratégia empresarial, e não determinar a estratégia por conta própria.
Fonte: ANPD — Metodologia de testagem do Sandbox Regulatório em IA e Proteção de Dados.
O que essas mudanças significam para as empresas?
Embora envolvam assuntos diferentes, os acontecimentos desta edição apontam para uma necessidade comum: melhorar a capacidade de planejamento e decisão.
A Reforma Tributária exige preparação e análise de cenários. O mercado de trabalho reforça a importância da produtividade. As condições econômicas tornam indispensável a disciplina financeira. A inteligência artificial acrescenta novas oportunidades e responsabilidades à gestão.
Para os empresários, o desafio é integrar essas informações ao planejamento do negócio.
Isso significa revisar estratégias tributárias, acompanhar indicadores financeiros, avaliar a eficiência das equipes e estabelecer critérios para a utilização de novas tecnologias.
A análise da AG: o problema não é a mudança. É chegar atrasado à decisão.
As empresas não controlam todos os fatores que influenciam o ambiente de negócios. Mudanças tributárias, condições econômicas e transformações tecnológicas fazem parte de um cenário em constante evolução.
Entretanto, a maneira como cada organização responde a esses movimentos depende de sua capacidade de gestão.
Conhecer os números, organizar processos, desenvolver pessoas e planejar antecipadamente são práticas que permitem reduzir incertezas e tomar decisões mais fundamentadas.
A contabilidade precisa contribuir para o planejamento. O financeiro deve oferecer informações para decisões. O RH precisa estar conectado à estratégia. A tecnologia deve produzir resultados mensuráveis.
Quando essas áreas trabalham de forma integrada, a empresa amplia sua capacidade de responder às mudanças e identificar oportunidades.
Informação mostra o movimento. Estratégia define o próximo passo.
Esse é o olhar da AG Consultoria: transformar informações em inteligência empresarial para apoiar decisões que constroem o futuro dos negócios.
Perguntas frequentes
Qual é o prazo para optar pelo Simples Nacional em 2027?
Segundo a Receita Federal, o prazo para solicitar ingresso ou retorno ao Simples Nacional em 2027 termina em 15 de outubro de 2026. O prazo para regularização de pendências relacionadas ao ingresso vai até 30 de outubro.
Até quando uma empresa do Simples pode optar pelo recolhimento regular de IBS e CBS?
A opção para o primeiro semestre de 2027 pode ser realizada até 30 de outubro de 2026, conforme o calendário divulgado pela Receita Federal.
Por que acompanhar a produtividade antes de contratar?
Porque o aumento do quadro de funcionários também amplia custos. Avaliar processos, capacidade operacional e indicadores ajuda a identificar se a contratação é necessária e quais resultados são esperados.
Como pequenas empresas podem melhorar a gestão financeira?
O primeiro passo é acompanhar regularmente fluxo de caixa, receitas, despesas, margens e obrigações financeiras. O planejamento orçamentário e a análise de indicadores ajudam a antecipar necessidades e fundamentar decisões.
Quais cuidados as empresas devem adotar ao utilizar inteligência artificial?
É importante definir ferramentas autorizadas, estabelecer regras para compartilhamento de informações, proteger dados pessoais e garantir supervisão humana nos processos que utilizam inteligência artificial.




