AG Weekly — 25 de setembro de 2026
Reforma Tributária, economia, NR-1 e inteligência artificial: as decisões que entram no radar das empresas
Reforma Tributária avança, juros continuam elevados, novas exigências chegam à gestão de pessoas e a inteligência artificial começa a ocupar processos cada vez mais estratégicos. O que esses movimentos significam, na prática, para as empresas brasileiras?
O ambiente de negócios brasileiro chega ao fim de setembro com uma mensagem importante para empresários e gestores: 2027 já começou para quem precisa tomar decisões em 2026.
De um lado, a Reforma Tributária exige preparação contábil, financeira, fiscal e tecnológica. Do outro, uma economia que continua crescendo, mas em ritmo mais moderado, mantém a necessidade de controle sobre caixa, margem e investimentos.
Na gestão de pessoas, a NR-1 amplia a atenção sobre os riscos psicossociais relacionados ao trabalho e coloca organização, processos e liderança no centro da discussão.
Enquanto isso, a inteligência artificial deixa gradualmente de ser apenas uma ferramenta de produtividade individual e começa a entrar na operação das empresas.
São assuntos diferentes, mas todos levam à mesma questão:
Sua empresa está preparada para transformar mudanças em decisões?
Reforma Tributária: 2027 começa agora
A implementação da Reforma Tributária continua avançando e setembro trouxe decisões importantes para empresas enquadradas no Simples Nacional.
A nova arquitetura tributária, com a introdução do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), muda mais do que a forma de calcular tributos.
Ela pode interferir em precificação, fluxo de caixa, aproveitamento de créditos, relacionamento entre empresas, sistemas de gestão e competitividade.
Para as empresas do Simples Nacional, a análise ganha uma camada adicional: a relação entre o regime simplificado e a forma de tratamento do IBS e da CBS.
A questão, portanto, não deveria ser apenas:
“Quanto imposto minha empresa vai pagar?”
Também é necessário perguntar:
“Como a nova estrutura tributária afeta minha margem, meus clientes, meus fornecedores e minha competitividade?”
Essa diferença é fundamental.
Uma decisão tributária não acontece isoladamente. Ela interfere no modelo econômico da empresa.
Reforma Tributária não é assunto apenas da contabilidade
Um dos maiores erros neste momento seria tratar a Reforma Tributária como um projeto exclusivo do departamento fiscal ou do escritório contábil.
A mudança envolve diferentes áreas:
Contabilidade. Fiscal. Financeiro. Comercial. Compras. Tecnologia. Precificação. Gestão.
Cadastros de produtos e serviços precisarão estar consistentes. Sistemas precisarão processar corretamente as novas regras. Contratos poderão precisar de revisão. Estratégias de preços deverão considerar os efeitos da nova tributação.
Por isso, a preparação precisa começar antes da virada definitiva do sistema.
A empresa que deixar para entender a Reforma Tributária depois que ela chegar à operação provavelmente estará reagindo quando deveria estar planejando.
A pergunta para o empresário é objetiva:
Sua empresa está preparada para 2027?
Acompanhe as informações oficiais sobre a Reforma Tributária
Economia brasileira: crescimento mais moderado exige decisões mais precisas
Os dados econômicos também pedem atenção.
O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior e 2,0% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo o IBGE.
Ao mesmo tempo, o Banco Central revisou sua projeção de crescimento da economia brasileira em 2026 para 1,8% em seu Relatório de Política Monetária de setembro.
A Selic, por sua vez, foi reduzida para 13,75% ao ano em setembro.
A direção dos juros mudou, mas isso não significa que o dinheiro tenha se tornado barato.
Crédito, financiamento, capital de giro e novos investimentos continuam exigindo análise cuidadosa.
Para empresários, a leitura mais importante talvez não esteja em um indicador isolado, mas na combinação:
crescimento mais moderado + juros ainda elevados + necessidade de preservar margem e caixa.
Quando o dinheiro fica caro, decisões ruins ficam ainda mais caras
Em períodos de capital elevado, uma empresa pode crescer em faturamento e, mesmo assim, deteriorar sua situação financeira.
Isso acontece porque receita não é sinônimo de lucro.
E lucro não é sinônimo de caixa.
Antes de financiar uma expansão, aumentar estoque, contratar uma nova estrutura ou assumir uma dívida, algumas perguntas precisam estar claras:
Qual é o retorno esperado?
Qual será o impacto sobre o fluxo de caixa?
Qual é o prazo de retorno do investimento?
Quanto da margem será consumido pelo custo financeiro?
Existe capital de giro suficiente?
A empresa consegue absorver um cenário abaixo do esperado?
Essa é a diferença entre simplesmente crescer e crescer com gestão.
Em um ambiente econômico mais seletivo:
caixa importa.
Margem importa.
Indicadores importam.
Planejamento importa.
O mercado pode desacelerar.
Sua gestão não pode.
Relatório de Política Monetária do Banco Central
Pequenas empresas: faturamento não conta toda a história
Essa discussão é especialmente relevante para pequenas e médias empresas.
Muitos negócios acompanham diariamente quanto venderam, mas não possuem a mesma clareza sobre margem, geração de caixa, custo de aquisição, despesas fixas, endividamento ou necessidade de capital de giro.
E isso cria uma ilusão perigosa.
Uma empresa pode vender mais e ganhar menos.
Pode crescer sem gerar caixa.
Pode aumentar a equipe sem aumentar produtividade.
Pode conquistar clientes que geram receita, mas destroem margem.
Por isso, gestão financeira precisa deixar de ser apenas uma rotina administrativa.
Ela deve funcionar como sistema de apoio à decisão.
Fluxo de caixa, DRE, margem de contribuição, ponto de equilíbrio, orçamento e indicadores não existem apenas para mostrar o que aconteceu.
Existem para ajudar a decidir o que fazer a seguir.
Sua empresa sabe quanto vende. Mas sabe quanto realmente ganha?
Essa é uma pergunta simples, mas capaz de revelar muito sobre a maturidade financeira de um negócio.
NR-1: saúde mental também é uma questão de gestão
Outra transformação importante acontece na gestão de pessoas.
Desde 26 de maio de 2026, a nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 ampliou a atenção sobre os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
A discussão envolve aspectos como organização do trabalho, carga, relações profissionais e outras condições capazes de produzir riscos aos trabalhadores.
Para empresários, RH e lideranças, existe uma mudança importante de perspectiva.
Nem todo problema relacionado ao bem-estar no trabalho pode ser analisado exclusivamente como uma questão individual.
Em alguns casos, é necessário olhar para o próprio desenho da organização.
Metas contraditórias.
Sobrecarga.
Papéis pouco claros.
Ausência de autonomia.
Comunicação ruim.
Conflitos de liderança.
Processos desorganizados.
Jornadas inadequadas.
Tudo isso pode produzir consequências para pessoas e empresas.
Antes de perguntar quem está performando mal, olhe para o sistema
Esse raciocínio também vale para produtividade.
Quando resultados diminuem, uma reação comum é aumentar a cobrança, contratar mais pessoas ou substituir profissionais.
Mas:
mais pessoas não corrigem processos ruins.
Se responsabilidades não estão claras, indicadores não existem e processos são desorganizados, aumentar a equipe pode significar apenas aumentar o custo da ineficiência.
Gestão de pessoas precisa estar conectada a:
Pessoas + Processos + Indicadores + Tecnologia + Liderança.
Performance sustentável acontece quando essas dimensões funcionam juntas.
Informações oficiais sobre Segurança e Saúde no Trabalho
Inteligência artificial: a conversa empresarial precisa mudar
A inteligência artificial continua avançando rapidamente dentro das empresas.
Mas talvez a discussão mais importante para 2026 não seja:
“Sua empresa usa IA?”
A pergunta mais interessante é:
“Que resultado a IA está produzindo?”
A primeira fase da inteligência artificial generativa foi marcada principalmente por produção de textos, imagens, apresentações, pesquisas e resumos.
Isso trouxe ganhos importantes de produtividade.
Agora, a tecnologia começa a avançar para processos mais estruturados.
No financeiro, pode apoiar análise de dados, fluxo de caixa e cenários.
No comercial, pode organizar informações, apoiar prospecção e priorizar oportunidades.
No RH, pode ajudar a interpretar indicadores e estruturar processos.
No marketing, pode acelerar pesquisa, análise e produção.
Na gestão, pode ajudar líderes a interpretar grandes volumes de informação.
Na operação, agentes de IA começam a executar sequências inteiras de tarefas.
É uma mudança importante:
a IA começa a sair da ferramenta e entrar no processo.
Antes de automatizar, organize
Existe, porém, um risco.
Automatizar um processo ruim não necessariamente resolve o problema.
Pode apenas fazer o problema acontecer mais rápido.
Por isso:
Antes de automatizar, organize.
Antes de escalar, padronize.
Antes de usar IA, defina qual decisão você quer melhorar.
Uma empresa precisa entender seus processos antes de entregá-los à automação.
Precisa saber quais dados são confiáveis.
Precisa definir responsabilidades.
Precisa estabelecer indicadores.
E precisa criar critérios de governança para utilização de inteligência artificial.
Quem pode utilizar determinados dados?
Quais informações podem ser enviadas para plataformas externas?
Quem valida uma análise produzida pela IA?
Quais decisões continuam exigindo intervenção humana?
Essas perguntas devem ganhar espaço nas empresas conforme a adoção aumenta.
IA não corrige gestão ruim. Ela amplifica a gestão que já existe.
Liderança: informação não é decisão
Existe ainda uma última camada conectando todos esses movimentos.
Liderança.
Nunca houve tanta informação disponível para gestores.
Dashboards.
Relatórios.
Indicadores.
Inteligência artificial.
Dados econômicos.
Dados financeiros.
Dados de pessoas.
Mas ter informação não significa necessariamente saber o que fazer com ela.
A função da liderança é transformar informação em direção.
Isso exige capacidade de interpretar cenários, estabelecer prioridades, tomar decisões e mobilizar pessoas.
Em um ambiente de mudanças tributárias, econômicas e tecnológicas cada vez mais rápidas, liderar passa também pela capacidade de decidir sem esperar que todas as respostas estejam disponíveis.
Dados mostram o cenário.
Estratégia define o caminho.
Liderança transforma decisão em movimento.
A leitura da AG
Reforma Tributária, economia, finanças, RH, inteligência artificial e liderança podem parecer pautas independentes.
Na prática, todas convergem para um mesmo ponto:
qualidade da decisão.
Empresas não controlam a taxa Selic.
Não controlam o ritmo da economia.
Não controlam as mudanças tributárias.
Não controlam a velocidade da evolução tecnológica.
Mas podem controlar a maneira como interpretam essas mudanças e se preparam para elas.
Podem conhecer melhor seus números.
Podem estruturar processos.
Podem desenvolver lideranças.
Podem organizar seus dados.
Podem planejar seus tributos.
Podem utilizar tecnologia com estratégia.
E podem tomar decisões antes que mudanças externas se transformem em problemas internos.
Por isso, a reflexão desta edição do AG Weekly é:
Informação mostra o movimento. Estratégia define o próximo passo.
O empresário não precisa apenas saber o que aconteceu nesta semana.
Precisa entender:
O que isso muda no meu negócio?
O que preciso revisar?
Qual decisão precisa ser tomada agora?
É quando informação se transforma em direção que ela passa a gerar valor.
AG Consultoria
Estratégia, gestão e inteligência para decisões que constroem o futuro.